sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


Certeza Que Consola

Thomas Lieth
Esta mensagem lembra muito as palavras do salmista: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.26). Quando João Batista recebeu no cárcere a confirmação de que Jesus Cristo era realmente o Messias aguardado, teve condições de esperar sua execução sem se desesperar, com o coração consolado.
Em Mateus 11.2-3 lemos: “Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?”
João Batista, cuja vida apontava para a vinda do Salvador, e, como mensageiro do Messias, tinha a incumbência de preparar o povo de Israel para receber o Ungido, estava preso num cárcere. Nessa aflição, enviou dois de seus discípulos a Jesus com a pergunta: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” De repente, o coração de João começou a ser assaltado por dúvidas: esse Jesus era de fato o Messias ou eles deveriam esperar outro? Por que ele começou a duvidar?
Quando ainda batizava no Jordão e Jesus veio ter com ele,  João testemunhou com toda a clareza e com certeza inabalável: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29b). “...eu, de fato, vi e tenho testificado que ele (Jesus) é o filho de Deus” (v.34). Dois versículos adiante está escrito: “e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus!” (v.36). João não apenas cria em Jesus mas estava plenamente convicto de que esse Jesus era o Messias, o Filho de Deus, o Cordeiro de Deus – sem duvidar e sem vacilar!

Esperanças não-cumpridas...

...vêm acompanhadas de dúvidas. O que João Batista esperava de Jesus? Ele, os discípulos e todo o povo de Israel esperavam o Messias chegando com poder e glória, libertando Israel do jugo dos romanos e estabelecendo o prometido reino messiânico. Mas essa expectativa não estava se concretizando naqueles dias. Ao invés de experimentar triunfo, alegria e regozijo, João Batista foi preso, jogado no cárcere, subjugado e humilhado. Por isso, em sua aflição e em suas dúvidas cruéis, João enviou dois de seus discípulos a Jesus para perguntar se Ele era o Messias prometido.
Seja como for, João dirigiu suas perguntas à pessoa certa. Ele sabia que somente Jesus poderia fornecer uma resposta confiável às dúvidas que assaltavam seu coração, dando nova perspectiva à sua situação nada satisfatória.

Uma resposta maravilhosa e miraculosa

Quando os dois discípulos, por ordem de João Batista, perguntaram se Jesus era o Messias prometido ou se deveriam esperar outro, Ele lhes respondeu: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mt 11.4-6).
Essa era uma resposta que esclarecia e elucidava o assunto. Mas por que ela foi tão minuciosa e tão bem explicada? Será que Jesus não poderia ter respondido com palavras mais breves e mais simples? Por que Ele não disse simplesmente aos enviados: “Digam a João: sim, eu sou o Messias!” Se Jesus tivesse respondido dessa forma, certamente João teria ficado satisfeito naquele momento. Mas depois de alguns dias, com a continuidade de sua aflição pessoal, as mesmas dúvidas voltariam a assaltar sua mente: “Será que Jesus mentiu para mim? Por que continuo na prisão? O que está acontecendo? Precisamos esperar por alguém ainda maior que Jesus?” Dúvidas, perguntas, questionamentos e mais dúvidas, assim como as encontramos com freqüência em muitos casos tratados no aconselhamento bíblico. E, muitas vezes, o resultado dessas dúvidas e questionamentos é a revolta contra Jesus! Não foi por acaso que Ele acrescentou à Sua resposta: “E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço”.
Jesus respondeu de maneira bem diferente do que nós responderíamos e do que esperaríamos dEle. Sua resposta consistiu menos de palavras do que de obras. Ele mandou os discípulos olhar e ver o que estava acontecendo. Jesus também relacionou o que disse às declarações do profeta Isaías. Este havia profetizado que o Servo do Senhor, o Messias, iria pregar boas-novas e curar os quebrantados, sarar os cegos e os surdos e proclamar libertação aos cativos (Is 42.6-7,18; Is 61.1-2). Os dois discípulos de João viram todas essas coisas acontecendo diante de seus olhos. Mencionando tudo isso, Jesus deixou claro para João que Ele representava tudo o que havia sido profetizado acerca do Messias.

Certeza e confiança através do cumprimento da profecia bíblica

A resposta de Jesus não foi uma declaração apenas de lábios, não foi um simples sim ou não. Sua resposta estava embasada em fatos incontestáveis, fatos que permitiam a verificação de Sua reivindicação de ser o Messias. Essa resposta representava mais do que milhares de respostas afirmativas:“Sim! Eu sou o Messias!” Agora João tinha certeza absoluta de que esse Jesus era realmente o Filho do Deus vivo e que ele não precisava esperar por mais ninguém!
Antes de ser preso, ele tinha clareza sobre o fato de Jesus ser o Cordeiro de Deus que levaria o pecado do mundo. Mas quando viu que Jesus não libertava os judeus do jugo romano, e quando ele mesmo foi lançado no cárcere e esperava por sua execução, começou a duvidar da identidade de Jesus. Através da resposta dEle, trazida por seus discípulos, foi reconduzido à sua certeza inicial de que Jesus, e nenhum outro, era o Messias.
Mesmo que suas expectativas não tivessem se concretizado, mesmo que sua situação pessoal não tivesse mudado e até piorado, João não se irou contra Deus nem se revoltou contra o Senhor. Ele estava na prisão e não sabia o que lhe traria o dia de amanhã. Sua incerteza em relação ao futuro continuava a mesma, mas apesar disso ele tinha condições de continuar calmo e tranqüilo. Como isso foi possível? Mesmo que a aflição fosse a mesma, a legítima Palavra de Deus vinda da boca de Jesus lhe concedeu força e consolo, esperança e certeza! Agora ele podia viver na convicção de que Jesus era o Messias e que a Palavra de Deus se cumpre – sempre! Diante dessa convicção nascida na fé, todos os outros assuntos perderam sua importância, e João conseguiu colocar todas as questões pessoais em segundo plano. Prisão ou palácio, riqueza ou pobreza, agora apenas uma coisa contava: somente Jesus!
Quais são as nossas expectativas? Qual a nossa esperança? O que nós aguardamos? Talvez você esteja decepcionado porque o Arrebatamento ainda não aconteceu. Você fica irado com Jesus porque continua desempregado? O que pesa em seu coração? Quais os seus questionamentos? Quais as suas dúvidas? O que deixa você insatisfeito? Jesus diz que “bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço”. Certamente nós também temos muitas razões para estarmos satisfeitos, tranqüilos e consolados, para sermos gratos. Paulo escreveu palavras cheias de consolo aos cristãos em Filipos enquanto estava na prisão, não a partir de um palácio em Roma. Essas palavras até hoje trazem conforto e alento renovado também a nós, que seguimos o Cordeiro – a cada um de nós pessoalmente, independentemente das condições em que vivemos e do que estejamos passando: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor. Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.4-7).
Deveríamos confortar e estimular uns aos outros continuamente com essas afirmações, assim como João se alegrou sobremaneira com as palavras que Jesus mandou dizer-lhe! Jesus é o Filho de Deus, Ele cuida de nós, a Palavra se cumpre e Cristo voltará como prometeu (Jo 14.2-3; veja 1 Ts 4.16-18). Até que estejamos para sempre na glória com Ele, pratiquemos o que está escrito em Filipenses 4.6: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições...” Então “a paz de Deus, que excede todo o entendimento” guardará nossos corações e nossas mentes“em Cristo Jesus” (v. 7). (Thomas Lieth - http://www.chamada.com.br)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Razões Para Orar

Steve Herzig
Tempestades de neve na região dos Grandes Lagos chegam repentinamente, acabam de repente e geralmente deixam vários centímetros de neve em uma área limitada. Vários anos atrás, eu estava viajando de Chicago, no estado de Illinois, para Cleveland, no estado de Ohio, para participar de um casamento na família. A inesperada tempestade chegou aí pelas 3h30min da madrugada.
Com minha esposa e filha serenamente adormecidas no carro, segurei firmemente a direção e dirigi bem devagar, com visibilidade zero. Minha esposa logo acordou por causa do vento frio que entrava pela minha janela que estava aberta. Eu a havia aberto para que pudesse ver a cerca de segurança no lado esquerdo da estrada. Daí a pouco ambos estávamos apavorados.
Escuridão total nos cercava à medida que zilhões de flocos de neve se acumulavam no pára-brisa. Foi aí que pedimos ao Senhor que nos levasse em segurança para uma saída. Lembro-me de ter orado assim: “Senhor, prometo que sairei da estrada na primeira saída que eu vir e não continuarei a viagem enquanto a neve não parar de cair”.
Tudo estava quieto, exceto pelos limpadores do pára-brisa, zunindo em vão para lá e para cá. Alguns momentos depois da oração, surgiram faróis acesos em meu espelho retrovisor. Tanto quanto eu sabia, eu era o único na estrada. Notei que o motorista do carro queria me ultrapassar e, à medida que cedi para lhe dar lugar, percebi que ele estava dirigindo um Jeep. Logo ele diminuiu a marcha à minha frente, criando uma proteção contra a tempestade. Segui aquele Jeep por cerca de 10 minutos até que vi uma muito bem-vinda placa de saída. Então, o Jeep deu a impressão de desaparecer enquanto eu saía da rodovia principal.
Nem minha esposa nem eu dissemos coisa alguma até que encontramos um restaurante que ficava aberto 24 horas e paramos no estacionamento. Estávamos sentados no carro, imóveis. Sabíamos que havíamos acabado de ter uma experiência de resposta de oração imediata, maravilhosa, de salvar a nossa vida. Até hoje (quase três décadas mais tarde), cremos que Deus mandou um anjo ou um motorista verdadeiramente bom para nos guiar. Oramos em nosso momento de necessidade e Ele nos respondeu prontamente. Quando terminamos nosso café da manhã antecipado, a tempestade havia passado; e, obedecendo à palavra da minha oração, saímos daquele estacionamento no que havia se tornado uma linda e clara manhã.
Será que as pessoas que oram deveriam esperar por uma resposta maravilhosa e imediata? E se o Jeep não tivesse aparecido? E se, em vez de encontrar uma saída, eu tivesse batido contra uma pedra de gelo e tido um acidente? Será que Deus seria menos do que Ele é porque eu não recebi nenhuma ajuda? Será que minha oração teria sido sem significado?
Historicamente, Deus dá três respostas ao Seu povo: sim, não e espere. Como Soberano absoluto do Universo, Ele faz o que quer, quando quer, por qualquer que seja o motivo que Ele tiver e para Seu próprio propósito.
Por toda a história, pessoas devotadas, de oração, em situações horrendas, não receberam suas respostas desejadas. Hoje, milhões de pessoas profundamente angustiadas oram fervorosamente a Deus em seus momentos de necessidade. Elas podem estar em relacionamentos difíceis, ter finanças desastrosas, ou sofrer de problemas dolorosos de saúde. Não obstante, não vêem nenhuma evidência de resposta a suas orações. Até mesmo o Senhor Jesus Cristo orou especificamente a Seu Pai: “Se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22.42).
Então, para que orarmos? Se Deus faz o que Ele quer fazer, para que serve a nossa oração?

Oramos porque isto demonstra nosso relacionamento com Deus

Os cristãos geralmente se descrevem como quem tem “um relacionamento pessoal com Deus”. Tal relacionamento gira em torno da comunicação. Deus fala conosco através de Sua Palavra, e nós falamos com Ele através de nossos lábios e nossa mente. Se não ouvirmos (lermos a Palavra) ou falarmos (orarmos), o relacionamento se rompe.

Oramos porque Deus nos ordena:


“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7).
Orai sem cessar” (1Ts 5.17). “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7).
De acordo com a tradição judaica, o profeta Daniel orava três vezes ao dia, independentemente das circunstâncias (Dn 6.12-13). Deus quer que Seu povo ore.

Oramos porque isto demonstra nossa posição sob as ordens dEle e a nossa dependência dEle

Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda” (Sl 121.1-3).

Oramos porque esta é uma forma de servir a Deus

A profetiza Ana “adorava noite e dia em jejuns e orações” (Lc 2.37). Quando oramos, admitimos que a vida não se resume somente a mim. O apóstolo Paulo escreveu: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1Tm 2.1-2).

Oramos porque a oração fortalece a nossa fé

Ver em primeira mão a provisão de Deus através da oração respondida fortalece nosso homem interior. Disse Jesus: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.6). Oramos “àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos” (Ef 3.20).

Oramos porque vale a pena

Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16).

Oramos porque Ele sempre responde, de uma forma ou de outra

E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1Jo 5.14-15).
Quando minha esposa e eu clamamos a Deus em nossa necessidade, não sabíamos qual seria a resposta dEle. Quando o Jeep surgiu do nada, nos ultrapassou, posicionou-se à nossa frente e nos dirigiu para a saída, certamente sentimos um grande alívio. Mais tarde, quando estávamos sentados no carro dentro do estacionamento, meditando sobre o que tinha acontecido, tudo o que pudemos fazer foi orar novamente – desta vez louvando o Senhor que achou por bem nos responder.
E esta é outra razão para orar: louvar a Deus por aquilo que Ele é e agradecer-Lhe por Suas bênçãos. (Israel My Glory)